
Eu não sou contra a tecnologia.
Muito pelo contrário: adoro ter nascido em uma época com internet, smartphone e – quase literalmente – um mundo inteiro disponível a apenas uma conexão de distância. Que delícia é acessar pessoas, lugares e informações sem uma penca de burocracia.
Mas lembro de uma aula onde a professora explicou o conceito de tecnologia. Basicamente, aquilo que facilita alguma atividade. A caneta é um exemplo disso.
Simultaneamente, se uma atividade é simplificada, sobra-se mais tempo para aproveitar outras coisas. Mas percebe que não é assim?
A caneta ajudou a escrever para se escrever mais em menos tempo. Assim como o computador otimizou diversas tarefas… Para o restante do dia ser preenchido com novas.
E, ok, é o capitalismo. Não é um grande mousse nem chá revelação. Mas, com a chegada da Inteligência Artificial, tudo ficou tão… Artificial.
De repente, todo texto é feito pelo Chat GPT. É… A gente repara. E os vestígios vão muito além do travessão. Como eu disse: não sou contra. É uma ótima ferramenta – que eu também uso – para organizar pensamentos, revisar o que fazemos e apontar ajustes.
Mas ela precisa criar, também?
Se tudo é feito pela Inteligência Artificial, o que transmite quem somos? Se o Chat GPT faz a legenda do seu post, o que torna aquilo autêntico e não genérico? Suas ideias e opiniões agora dão lugares ao que o robô quer te entregar?
E reforço: tudo bem usar IA. Como ferramenta, não berço de tudo.
Ser humano é um mundo infinito. Nossa mente é capaz de inventar, se reinventar, aprender. Cada pessoa é um conjunto de experiências, lugares e encontros. Juntos, formam algo único.
É nessa singularidade que nascem invenções incríveis. E não na perfeição que a IA tenta se camuflar – e falha, claro.
Tudo isso para dizer que, cada vez mais, quero ser e estar rodeada do que é humano. Os robôs já tomam muitas decisões por nós: o que vamos assistir, o que vai ser popular, quais pessoas valem a pena ter seu tempo, se você é boa o suficiente para ocupar um cargo.
Quero ter a opção de escolher o que é possível escolher. Consumir o que eu quero. Ir atrás ao invés ser encontrada.
E é nesse terreno de ideias que a ressureição deste espaço aconteceu. Escrever o que vem na cabeça, sem medo dos likes (ou falta deles). Ser minha própria métrica, meu próprio algoritmo. Escrever – e ler – textos maiores, acessar páginas que eu quero (e digito no navegador), sem abandonar os vídeos curtinhos (que também têm sua importância).
Juro que não é um papo sobre reduzir telas e evitar o brain rot só porque é modinha. Mas, já que estamos reféns das telas, escolher melhor onde vou depositar minha atenção. Afinal, tecnologia não é vilã. É o jeito que a gente usa na nossa rotina.
Dito tudo isso… Oi, estou de volta. Sem pressa, sem pressão e sem periodicidade para atualizar esse espaço. Fazendo da forma que era tão comum lá atrás: por amor, por hobbie, por diversão. Simplesmente porque quero, e não porque preciso, falar sobre algo.
