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Julie Duarte

Seu blog de maquiagem, beleza e muito mais!

A garota da rodoviária

Ela estava sentada em um banco da rodoviária, esperando o ônibus que a levaria para casa. Ela não queria voltar para seu quarto nada acolhedor. Era uma noite fria após um dia sentimentalmente frio, e ela se abraçava tentando livrar-se daquele vento gelado que pairava sobre sua pele. 
A garota vestia um short jeans, um moletom antigo e milhares de sentimentos inexplicáveis. Alguns ela conhecia. Dor. Mágoa. Solidão. Ela olhou para os lados pela primeira vez. E se viu sozinha. Como nunca havia estado em toda sua vida.
Mexeu no celular a procura de alguém com quem pudesse puxar uma conversa por SMS. Tentou criar coragem para dizer um “olá” àquela amiga que há muitas semanas não tinha contato. Escreveu uma mesma mensagem aproximadamente dez vezes antes de criar coragem para enviar.
A coragem não veio.
As lágrimas, finalmente, ganharam vida e percorreram todo seu rosto. Eram lágrimas solitárias, assim como a garota sentada em um banco da rodoviária. Ela olhou para o local onde seu ônibus deveria estar.
Estava tudo vazio. 
Ela nem sabia mais onde queria estar, e isso a aterrorizou. As lágrimas pararam de sair de seus olhos, e aquelas que insistiam em ganhar liberdade, a garota enxugou-as. Ela juntou as pernas e as colocou sobre o banco, abraçando-as. Sentido-se sozinha, como nunca esteve antes, com apenas uma pessoa como companhia. Ela mesma.
A garota olhou para os lados, procurando um alguém que pudesse conversar e choramingar um pouquinho, contando os dramas que enfrentava agora. Eram tantos que ela nem saberia por onde começar. Todos intensos demais, misturando-se aos traumas que ganhara durante a vida inteira. Ela queria livrar-se de tudo aquilo que fazia suas lágrimas escorrerem por seu rosto, ultimamente. Mas não havia remédio. Não havia fita crepe que pudesse recolar seu coração, nem tornar inteiros seus sentimentos quebrados.
Seu ônibus chegou. Ela juntou umas moedas perdidas na bolsa, subiu os degraus e entregou-as ao motorista. Antes de passar pela catraca, olhou novamente a rodoviária gelada. Em seus olhos, era claro perceber a vontade de sair correndo dali e pegar um transporte para outro lugar. Qualquer um.
Assim que escolheu um lugar, encostou a cabeça no vidro e, de novo, visualizou todas aquelas pessoas felizes ao lado de fora do veículo. E antes mesmo deste dar partida, a garota deixou uma última lágrima cair. 
Era um último sinal de fraqueza antes de vestir a máscara de “está tudo bem”.

3 comentários em “A garota da rodoviária

  1. Que lindo esse texto !!!
    Muito profundo, me emocionei.
    Você escreve com sentimento, tipo, quando li o texto, me senti envolvida na história e nas mágoas da personagem.

    Julie, publique um livro ! com certeza eu seria a primeira a comprar.

    Beijos, fica com Deus.
    lendoeaprendendoblog.blogspot.com SIGO TODOS DE VOLTA.

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