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Julie Duarte

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Conflitos de uma paixão: capítulo 9

Confira os capítulos anteriores.

Matthew se mexeu ao meu lado e tentei respirar calmamente. Deixei os olhos fechados, tentando parecer que estava dormindo, mas algo em mim entregou que eu já estava consciente. Talvez fosse o jeito como meu corpo estava deslocado, desacostumado com a situação. 
– Mandy? – Matt sussurrou em meu ouvido. 
Demorei alguns segundos a mais para responder. Primeiro porque meu corpo se arrepiou com o som da sua voz tão perto. Depois, eu não me acostumara com aquilo, ainda. 
E tinha medo de que, algum dia, isso acontecesse. 
– Sim? – respondi. Minha voz saiu baixa e falha. Suspirei. – Diga, Matt. 
Foi a vez dele de demorar a dizer algo. 
Alguns segundos se passaram e só tive certeza de que meu marido – surpreendi-me ao chamá-lo desse jeito e um sorriso apareceu em meu rosto – ainda estava na cama porque seu braço continuava em minha cintura. Pensei que não teria resposta até que ele se mexeu e juntou nossos corpos ainda mais. 
– Estava me perguntando o motivo de tudo isso. – Começou. Senti que ele falava mais consigo mesmo do que, de fato, para mim. Esperei, pacientemente, pelo resto. – Queria saber quando isso – ele tornou seu abraço mais apertando, indicando a situação – se tornou algo… Algo… – sua voz sumiu aos poucos. 
Ele não precisava terminar a frase para que eu entendesse o significado. 
Fiquei ali sem falar nada, sem fazer nada. Tinha medo de emitir qualquer som e estragar tudo. 
Mas foi impossível. 
– Acho que o tempo nos obrigou a esquecer que, antes de mais nada – hesitei, tentando não dizer “antes de casados” – somos amigos. Pelo menos foi assim desde o começo… 
Matt acariciou meu rosto delicadamente. Perdi a linha de raciocínio assim que me dei conta de suas carícias. 
– Desculpa, Mandy. – Ele suspirou – Fui um idiota ao longo desses anos. No fundo, me culpei por todo esse tempo… 
Desta vez tive que me virar e ver seu rosto. Surpreendeu-me ao notar as mágoas (e, talvez, as marcas de lembranças em um passado não muito distante) tão evidentes em seus olhos. 
– Como assim se culpou? – Perguntei, incrédula. 
Ele colocou uma mexa de cabelo atrás de minha orelha enquanto me dava um sorriso fraco. 
– Por tirar sua vida assim. 
– Matthew, você não… 
– Por favor, Mandy, não me poupe. – Interrompeu-me. – Você deixou sua vida para ter uma, se é que posso chamar de vida, complicada e triste. E quem seria o culpado se não eu? – Ele suspirou e abaixou o olhar. – Vi você acordar todos os dias apenas por acordar. Senti falta dos sorrisos em seu rosto, aqueles que eu gostava tanto de ser o motivo. Eu conseguia enxergar a tristeza em seus olhos e tinha… Tinha vergonha de encará-los. Era como se eles dissessem “você causou tudo isso, seu idiota”! – Ele sorriu, sem graça. 
Eu não sabia o que dizer. Desde que oficializamos nossa relação, Matt nunca havia falado tanto assim. Ele estava abrindo seu coração, contando-me coisas que eu nunca imaginei ser verdade. Peguei seu rosto em minha mão e o acariciei. Ele colocou sua mão sobre a minha e fechou os olhos. 
– Você não é o culpado, Matthew. – Disse enquanto admirava seu rosto. Eu tinha que fazer toda essa culpa sumir de seus olhos e não iria descansar até conseguir. Por mais que, lá no fundo, ele tivesse alguma razão – não por tirar minha vida, nem por ser culpa dele, mas sim pela tristeza que consumiu meus dias – eu não queria que ele pensasse nisso nem por um segundo mais. 
– Eu sei que sou, Mandy. – Ele abriu os olhos. – Mas esse não é o ponto. Digo… – ele hesitou e olhou-me nos olhos pela primeira vez desde que acordamos – É difícil falar isso, principalmente porque nunca me abri com você. Porém, sinto que preciso contar que… Lá vai… Eu sempre fui apaixonado por você. E te ver sofrendo assim me afastou por todos esses anos. Acho que, dessa confusão toda que causei na sua vida, nosso filho foi a única coisa que valeu a pena para você. Esse era o motivo que me segurou aqui. 
Demorei para engolir tudo o que ele disse. Matt. Apaixonado. Por mim
Foi impossível não conter o riso histérico. 
– Não entendi a graça, Amanda. 
Demorei alguns minutos para me acalmar. 
– Não estou rindo por achar graça, Matt. É que é estranho escutar isso de você. 
– Por quê? É tarde demais? – A mágoa em seu olhar voltou novamente. – Sei que te fiz sofrer, Mandy, e quero recompensar isso a partir de agora. Só me de uma… 
– Você não sabe o que está falando. – Coloquei o dedo em sua boca e ele o beijou. – É que… Bom, você usou as mesmas palavras que eu sinto. É estranho. 
– Então… – Ele hesitou, sorrindo. Desta vez, o sorriso era sincero e seu olhar, curioso. – De certa forma, sabe-se lá o motivo, você sente algo por mim? 
– Desde que derrubei suas coisas. Lembra? 
Ele não respondeu. Cauteloso, apenas aproximou seu rosto e encostou seus lábios nos meus. Sua boca encontrou a minha e fixou-se nela por alguns segundos. Mesmo sendo algo bobo – um selinho rápido, mas cheio de sentimentos por trás – meu coração acelerou. Depois de muitos anos, senti-o em meu peito de novo. 
Matt se levantou da cama, pegou sua roupa na poltrona e jogou as minhas. Peguei-as enquanto o olhava sem entender. 
– Vista-se, Mandy. Quero te levar a um lugar.

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