Quinze

Confesso: até hoje sinto falta dos quinze. Sei lá. Parece que foi minha melhor idade. Ou, pelo menos, a que mais deu certo. Em tudo.
O coração estava calmo. Em paz. Tranquilo. Completo. A aparência eu prefiro nem comentar. Eu tinha o cabelo mais curto e era loira. Ou melhor, quase. Um ano antes fiz a besteira de fazer luzes. Ah, vai. Quem nunca? Histórias sobre erros no cabelo fazem parte de qualquer passado feminino. Não é?
Eu cabia direitinho nas calças número 38 que ficaram anos no fundo do guarda-roupa à espera de que, um dia, eu voltasse a entrar nelas. Quatro anos depois, duas numerações a mais, desisti. Vão para doação.
Parte física de lado, os quinze foram especiais. Eu fazia parte de um grupo legal de amigos na escola. Tinha boas notas. Comecei a não suportar matemática. E a amar português. Queria ser web designer. Descobri a paixão pela escrita. Tinha fake. Descobri a paixão por fotografia. Ah, 2009…
Mais que tudo isso, os quinze foram tão especiais quanto a ansiedade de ser princesa por uma noite. E ter um príncipe. Ou um sapo fantasiado de príncipe. Mas que, na época, ganharia a coroa de “cara da minha vida”. Ok, foi. Por um curtinho espaço de tempo. Mas foi.
Aí veio os 16. Passo. Os 17. Passo. Os 18. Passo. Entrei nos 19. Daqui menos de um ano, completo os dedos dos pés. Aí volto para as mãos. Haja dedos.
E ainda assim, cá estou eu falando do passado. É, dos quinze. Saudade é pouco perto do que sinto. Sei que vão pensar que é por alguém especial. Mas não. É tudo. A agitação de ir para a escola. De rever pessoas importantes. De voltar no ônibus com uns cinco amigos legais fazendo alguma palhaçada. Da falta de tantas responsabilidades. E, quer saber? Até das bronquinhas dos pais eu sinto falta (e tenho que confessar que elas foram muitas nessa época).
Depois dos quinze (não, não é o blog, tá?) tudo mudou. Alguns exemplos? Vou voltar um pouquinho no texto e dizer os mesmos. O coração está vazio. Solitário. Cheio de buraquinhos, como diria uma música das Chiquititas. As notas são baixas, tão baixas que a Juliana dos 15 odiaria só de pensar. Matemática se tornou só uma matéria que tive na escola um dia. Web designer virou um hobbie e não uma profissão. O loiro se foi. O cabelo mais curto, também. Paixão pela fotografia e escrita, ok, continuaram. Pelo menos algo, né?
Voltando… Depois dos quinze vieram as responsabilidades. Principalmente aos 18. Engraçado. A gente pensa que, até essa idade, tudo vai ser só diversão. Ou, pelo menos, grande parte do tudo. Valorizamos mais a mesada do que o esforço dos pais para gerá-la. Valorizamos mais a quantidade de caras que ficamos do que aqueles que, realmente, fizeram alguma mudança. Valorizamos mais a quantidade de amigos do que a intensidade de cada um. 
Hoje vejo que nada disso era tão importante. Sinto falta de cada momento e cada pessoa que significou algo, não pela quantidade que elas foram, mas pelas marcas que deixaram. Os caras que conheci pouco importam perto daquele que, algum dia, vai fazer alguma mudança. Dinheiro é algo que, agora sim, entendo o valor. Não porque passei uma semana guardando o troco do lanche. Mas, sim, porque passei um mês trabalhando – e depois vejo tudo voar quando as contas chegam.
É como se, aos quinze, tudo ainda fosse só sonhos. E hoje, quatro anos depois, tudo fosse… Tá, sonhos. Mas com os pés mais grudados ao chão. Talvez essa seja a vida de adulto que tanto falavam. E que a gente só entende quando estamos dentro dela. 
Bem vinda à vida de gente grande. 
Ju Duarte
Ju Duarte

Jornalista, apaixonada por maquiagem, palavras e Taylor Swift. Ama tagarelar, encontrar pessoas queridas, comer coisinhas gostosas e passear por aí.

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  1. Ê saudade! Na verdade saudade é pouco "o que eu sinto ainda não tem nome". Estava nesse exato momento escrevendo um texto "parecido" quando cliquei no texto. Tô passando por isso, mas com um ano a menos. Faço 19, e quer saber? To ficando louquinha com essa vida de gente grande. No meu pensamento de 15, os 18 eram mais fáceis, e com mais baladas e diversão e hoje, há, não é bem assim….

    • Nossa, sério? Que coincidência!
      Eu me sinto da mesma forma. Acho que tudo isso é a pressão da tal "vida de gente grande". É tanta coisa que a gente fica louquinha ><

  2. Ai Julie, nem fale. 2009 foi um ano mágico. Tinha só catorze mas foi um dos melhores anos da minha vida. Sinto muita saudades das tardes no shopping e da falta das grandes obrigações. Que saudade de fazer a lição chata de história. 🙁
    Mas enfim, sigo pensando que algum momento terei um ano que deixará tantas saudades quanto 2009.

    Beijão

  3. Sei bem do que você está dizendo; amanhã faço 22 (ai meu Deus, tô contando isso para todo mundo, rsrsrs) e sinto muitas saudades de quando tinha 15 anos, dos amigos, das festas, de todas as ilusões. Você disse tudo o que tenho pensado nesses dias.
    Talvez quando eu chegar aos 30 ou aos 40, sinta falta dos meus 20.

    petalasdeliberdade.blogspot.com

  4. Julie, boa noite.
    Fiz questão de comentar.
    Sem interesse no seu post – desculpe-me mas caí aqui de para-quedas atrás de um tutorial – senti estranha vontade de lê-lo até o final. Escreves muito bem. Parabéns! Fazes da linguagem culturalmente vista como fútil se tornar uma leitura progressiva entretida.
    Belo layout também.
    Sou jornalista, publicitário e marido de blogueira (rs).
    Move on!

    • Ei, Renan! Obrigada, fico muito feliz que tenha gostado <3 Eu adoro escrever e essa é uma das minhas maiores paixões <3
      Ah, jura? hahaha Sou sua futura colega de profissão! HAHAH 😛

  5. Amei esse texto. Sou meio "neurótica" com idade, não por estar envelhecendo (na verdade sim), mas me decepciona ver o tempo passar assim, tão rápido, e ter aquela insegurança ou duvida de não estar aproveitando como deveria meus 15, ou meus 16, que virá daqui a um mês. Sinto um certo medo do futuro, por mais que ele venha aos poucos, e aos poucos vamos nos acostumando, mas ao ter lembranças do tipo, me bate um aperto e aquela vontade de voltar ao tempo. Só espero que daqui a 4 anos, possa ter conseguido realizar grande parte dos meus sonhos.

    http://www.stephaniecomph.com/

  6. Nossa, sério? Que coincidência!
    Eu me sinto da mesma forma. Acho que tudo isso é a pressão da tal "vida de gente grande". É tanta coisa que a gente fica louquinha ><