Nossas pizzas de fim de semana

Todo fim de semana, minha mãe sempre chegava em casa com uma massa de pizza semi-pronta. Com toda a alegria – como se, realmente, fosse uma chef -, eu corria até a cozinha, louca para colocar a mão na massa. Eu era a estagiária e ela, a minha instrutora. 
Nunca comíamos a pizza do jeito que ela chegava em casa. A gente tinha mania de complementá-la com outras coisas que a marca se esquecia. Era assim todas as vezes – e eu adorava isso.
Lá da sala, meu pai começava a reclamar do horário. “Cadê essa pizza que não sai? Já são dez horas!”. Mesmo assim, sempre estava de olho na cozinha (e ajudando em tudo o que ele tinha permissão para tocar). Éramos cozinheiros de mãos cheias e sem nenhum certificado. O que, claro, tornava tudo melhor.
Depois, levávamos até a sala um dos bancos que meu pai ainda tem no quintal. Apoiávamos a bandeja com a pizza e, no chão mesmo, colocávamos os pratos, os copos e a Coca Cola de dois litros (saudades de comprar uma Coca Cola de dois litros pelo preço de antes). Ou, as vezes, um refrigerante de tubaína. Nosso favorito.
E assim rolava a noite. Conversas, TV ligada só para fazer barulho e um pedindo o ketchup ao outro. 
Eram dias maravilhosos. Aliás, ainda é. Com menos frequência, é claro (mãe de dieta = nada de massas todos os fins de semana). Mas, mesmo assim, cada vez que minha mãe inventa de comprar uma pizza ou até pães para fazer sandubas, eu volto a ter os mesmos sete ou oito anos de antes, quando eu era uma chef de cozinha sem nem, ao menos, tocar no fogão.
E querem saber? As melhores pizzas e os melhores sanduíches que comi não foram feitos em um restaurante famoso e caro. Foram feitos em casa mesmo, em uma cozinha doméstica sem nenhum forno superpotente nem ingredientes secretos. Só o amor.
Ju Duarte
Ju Duarte

Jornalista, apaixonada por maquiagem, palavras e Taylor Swift. Ama tagarelar, encontrar pessoas queridas, comer coisinhas gostosas e passear por aí.

Nenhum comentário

Deixe um comentário para Sabrina GomesCancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. O que dizer? Encantador talvez defina – ou não – afinal, lembranças tão belas da infância a gente não define, apenas guarda num lugar todo especial do coração. E isso você fez muitíssimo bem. Parabéns! E crônica é isso mesmo: é transformar um assunto que pareceria qualquer pra outra pessoa, em um grande e reflexivo texto.

    Bjs, Herlene!